REContando nº 4

POR LEONARDO “SILVERBOLT” DIAS

Com o final da Season 3 de American Horror Story, codinome Coven vou aproveitar para fazer um recontando da série, explorando melhor histórias e personagens com tudo fechado, ainda acho que essa temporada de modo geral foi a mais fraca das três, com Asylum no topo é claro.

Diferente de outras séries o problema aqui não foi atuação (ótimas atrizes e alguns atores também para completar, só os personagens masculinos que não ajudavam), nem o roteiro pode ser questionado, algumas histórias foram bem costuradas, o que faltou foram enfoque/direcionamento, muitas tramas parecidas jogadas ou perdidas com o passar dos episódios. Detalhe abaixo.

Com spoilers para quem não concluiu a temporada

AHS COVEN

Como essa é uma matéria depois do final vou começar ligando fatos do season premiere e finale. Quando a história de Coven começou pensamos que trataria de ensinar as bruxas a lidar com os seus poderes recém-descobertos, daí logo veio à comparação com X-Men ou Harry Potter mencionado no primeiro Recortes que fiz da temporada.

Porém, ao final do 3×01 a ideia da série parecia outra quando Kyle morre no acidente causado por Madison e Misty Day é queimada como bruxa pela família. A partir daquele ponto começa a trama de ressurreições, disputa de Supremas, Fiona passando por cima da filha (por mais que no Season Finale tem dito o contrário) para conseguir descobrir quem seria a Nova Suprema e matá-la para ganhar direito a ter sua saúde magnífica por mais alguns anos.

MISTY DAY QUEIMADA

A trama escolar se perdeu até que a série encerrou exatamente no ponto que começou com a Nova Suprema assumindo o lugar com os sobreviventes.

Pausa para falar em sobreviventes: um clássico de American Horror Story é que sempre no final de cada temporada podemos contar nos dedos de uma só mão que permanece vivo, é quase Jogos Mortais ou um filme do Jason em versão de seriado.

Falando dos personagens principais: Zoe nem de longe foi a protagonista, seu poder de fato, Viúva Negra não é uma das Sete Maravilhas, é algo novo que não temos mais detalhes. Sua relação com o golem Kyle evitou que ele voltasse a atrapalhar sua vida sexual e seu desenvolvimento como bruxa, aumentou seu leque de habilidade. Mas o princípio de sua história foi apagado da série sem maiores explicações.

ZOE E KYLE

Kyle tinha um excelente plot, era violentado pela mãe e por isso defendeu Madison da brincadeira dos seus amigos de Irmandade. Como disse o roteiro fez questão de explicar os motivos de sua revolta com o estupro da melhor maneira possível.  Só que deixá-lo calado por um bom tempo e não voltar no assunto para explicar a situação da morte de sua mãe, que tinha um diferencial da morte dos demais também foi uma falha de condução.

Sobre as três bruxas que viviam na Academia Miss Robichaux: Nan era uma personagem complexa, seu poder de leitura de mente que depois se tornou o Controle Mental das Sete Maravilhas casava com a história, a trama do vizinho e de sua mãe a falsa beata tinha tudo para engrenar, no entanto todas as vezes que o acelerador era pisado, alguém tirava o pé e a história ia morrendo, até que a personagem teve uma morte apressava só por descobrir o bebê oculta de Marie Laveau e a ideia de matar todas as bruxas nem acabou vingando.

Madison tinha background, era a bitch da história, foi violentada e mostrou essa fragilidade oculta por alguns segundos de tela. Até que veio sua primeira morte na série. Fiona a mata acreditando que seus poderes sobre a Pirocinese era sinal de que ela era a nova suprema, fato que quase se concretizou na Season Finale.

MADISON

No retorno dos mundos dos mortos, os entorno de sua personalidade foram abandonados e ela mudava de ideia e de atitude como trocava de roupa até morrer enforcada por Kyle e ter todo um questionamento de como alguém tão poderoso morreu de forma simples. Como até aquele momento o mesmo tinha acontecido com Fiona e o Axeman não entrei nesse mérito. Realmente outro caso sem resposta.

Por último Queenie, a sobrevivente.  Temos nesta personagem a prova viva da confusão da trama, primeira ela era a complexada por ninguém ter a desejado, vem à conexão de sua história com a de Delphine LaLaurie e ela encontra o Minotauro que resolve o seu problema sexual, essa parte é corrigida.

Aí ela se sente isolada entre as bruxas após se recuperar da quase morta durante o sexo animalesco e vai para o lado de Laveau só não morrendo por despertar o Vitalum Vitalis que ela usa novamente para despertar Misty Day e depois não consegue durante a prova das Sete Maravilhas. Ela sobrevive, embora um pouco descaracterizada.

QUEENIE

Seguimos com Misty Day, um excelente personagem que quando se acha como bruxa se adequando ao Clã, começa a perder seu brilho, e alçada ao posto de Nova Suprema e por isso afastada da trama até sua morte desnecessária. Se ela era a Fênix por seu poder de ter voltado à vida por si mesma como Queenie fez depois, porque ela não saiu do caixão, ou das cinzas que se tornou ao falhar no teste da Descensum retornou das cinzas?

A dupla Cordelia e Myrtle Snow, mãe e filha pela convivência sem laços de sangue. Filha de Fiona, sempre esteve a sua sombra, não mostrou poder de fato a não ser pelas suas habilidades herbalistas e pelo ritual de fertilização (excelente cena) que não teve resultado, foi traído pelo marido na verdade um Caçador de Bruxas que de fato se apaixonou por ela, mas não tinha volta e se sacrificou para livrar o Clã de um inimigo, que acabou se tornando um aliado depois de sua morte.

CORDELIA E MYRTLE

Cordelia desperta como a Nova Suprema, a atriz ganha o benefício de brilhar no último episódio depois de perder sua visão por duas vezes, uma criminosa e outra por autoflagelação. Só que tudo estava muito corrido e a cena com a semimorta Fiona revelam o plano da bruxa e a explicação que sabia que ela seria seu algoz quando nasceu. Parece em parte natural, mas devido à falta de pistas na trama que apoiassem isso, acho um recurso de roteiro de última hora.

Myrtle morreu por traição de Fiona e depois aceitou a morte real para não manchar o nome de sua amada Cordelia. Em chamas limpa o clã de suas últimas máculas.

Um pouco antes um trio se destaca: Fiona aparentemente morre fácil nas machadada de seu amante enganado por uma ilusão, ela na verdade preparava o terreno para a ascensão da filha (será?) e acaba preso num inferno e paraíso do seu amante.

FIONA, MARIE E LALAURIE

Maria Laveau simplesmente morre porque Queenie convence o diabo na verdade Papa Legba, um personagem de última hora, com brilho próprio que ela não cumpriria mais o acordo selado. A imortalidade simplesmente se quebra e a despedaçada Laveau morre sem que de fato víssemos isso em cena.

O que também carrega LaLaurie para o Inferno, numa bela cena onde a personagem revela que nunca iria melhorar, sua relação de “amizade” com Queenie era apenas um paradoxo em meio ao seu ódio pelos negros.

E os homens: Hank serve ao roteiro de forme pífia, Spalding tem bons momentos, mas vai sendo esquecido aos poucos e passa a ser só um coveiro que enterra os defuntos deixados pelo caminho e que finalmente morriam de vez e Axeman, o personagem histórico inserido na história parece apenas como um peão de Fiona, sem que de fato descobríssemos se havia ou não amor nessa relação entre vivos e mortos. Que pega um gancho lá da Season 1, onde tem até o Anticristo, filho de um espírito e uma humana viva.

A busca pela nova Suprema permeia muitos dos episódios, é o ponto central de alguns deles, entretanto troca tanto de mãos e ideias que acaba se diluindo.

O pacote em si foi bom, as doses nele semanais nem tanto, mesmo assim não fecharei as portas para AHS que venha uma próxima temporada com histórias amarradas como das duas primeiras.

Até breve.

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