RPG em Debate

POR JOSÉ ALFREDO

Começarei hoje e pelo menos 1 vez por semana a trazer em pauta certas situações que creio que já deve ter ocorrido na sessão de jogo de qualquer grupo de RPG e ver se no fim podemos tirar uma lição, uma mudança ou qualquer coisa que o valha disso.

Neste primeiro RPG em Debate o tema é:

Grupos, grupos… Negócios a parte.

 

Semana passada ocorreu uma situação que me instigou a tratar do assunto. Antes de mais nada, quero deixar claro que já estamos jogando esta campanha há vários meses e com isso as personagens já passaram um bom tempo juntos em várias aventuras.

Bem, após termos passado por vários desafios em busca de juntar as peças de um item mágico o grupo se encontrava extremamente debilitado. Para piorar a situação, já no clímax um item mágico fora ativado e ele literalmente drenou a alma de um dos personagens do grupo. Um erro crítico num teste de Primeiros Socorros revelou que ele estava morto. Enquanto meu personagem acudia outros membros do grupo que sofreram da mesma aflição ele pedira ao outro jogador que pegasse o corpo do companheiro e aí veio a resposta: “Eu não vou muito com a cara dele.” (as palavras não foram literalmente essas, mas a ideia era essa)

Em OFF, falei com o jogador se isso era realmente a atitude sensata que um ser humano teria com alguém que acabara de morrer e principalmente, com alguém que você convive quase que diariamente. Ele veio em seguida explicando sobre a personalidade do seu personagem de não ser um cara legal e que já teve problemas com o “defunto”, mas ainda assim não achei lógica nisso. O mesmo após a conversa entendeu que realmente era irrelevante o que havia acontecido antes e se prontificou de cuidar do desafeto.

Esse tipo de situação é bem comum no RPG. Às vezes por mero estereótipo da personagem, por levar o meta jogo à mesa ou por simplesmente crer que tal conduta não trará influência e interferência alguma na aventura agem de forma totalmente incoerente do que seria aceitável tanto no cenário quanto pelo o que o próprio jogador idealizou da personagem. Não é porque você está jogando algo que ocorre num cenário medieval fantástico que justifica seu mago desintegrar um bêbado só porque ele está batendo no guerreiro do grupo numa briga de bar. E mesmo se for um personagem maligno deve ter ao menos uma lógica na atitude.

Numa antiga aventura que narrei 4 personagens do grupo (um ladino, um ranger, uma maga e por incrível que pareça, um paladino) tinham uma birra com a NPC clériga, pois pelo o que diziam, principalmente, era que ela dava mais atenção ao bárbaro meio orc e que numa certa vez em que passaram por um desafio, ela os ignorou. Enfim, isso fora motivo durante meses e meses falarem mal dela. O irônico é que na 2ª aventura da campanha, quando o grupo estava prestes a morrer pelas chamas mágicas de um mago maligno ela se jogou na frente recebendo todo o dano e falecendo. Na época, o único que se importou fora o bárbaro e em virtude disso, no decorrer da história eles se tornaram realmente amigos. O resto do grupo não deu a mínima para isso. Durante as aventuras a clériga ainda produzia poções de cura (e com isso gastava sua XP na criação) para manter o grupo sempre bem, mesmo quando ela não estivesse presente ou disponível. Ela ficava triste com o jeito que a tratavam e para não se abalar tinha tanto sua fé quanto a amizade do bárbaro. Em momento algum falei na aventura com palavras, mas expressava isso com as reações dela que no fim ainda era uma garota de 16 anos. Até hoje, esses mesmos jogadores acham que a conduta deles é a correta, mas creio que nunca pararam para analisar a situação por outro ponto de vista.

Como disse, não é novidade esse tipo de conduta por parte dos jogadores e até por narradores (tanto quando agem assim ou quando não deixam evidente que esse tipo de atitude é inadequada ao personagem).

Eu acho (perceba aqui que este é meu ponto de vista e logo, necessariamente não precisa ser o seu) que isso vem em virtude do jogador não conseguir inserir devidamente sua personagem no cenário. Preocupam-se tanto com a personagem em si que esquecem que o que está em volta pode e irá influenciá-la nas suas atitudes. Não é porque você é um guerreiro que já passou por inúmeras batalhas e já viu muitas pessoas morrerem que não irá se entristecer ou até se desesperar quando vê seu companheiro ladino que esteve contigo desde sua primeira aventura morrer na sua frente pelo martelo daquele clérigo maligno.

Jogar RPG é literalmente representar um papel, mas deve sempre ficar em mente que não há roteiro para o jogador seguir. Tudo depende do improviso e reação.

Enfim, deixem aí nos comentários outros tipos de situações que vocês passaram e mais qualquer coisa que creiam que possa contribuir com o tema.

Até a próxima.

2 comentários em “RPG em Debate”

  1. Primeiramente gostaria de lhe dar os parabéns pela matéria. Eu passei por algo parecido, estou jogando com um Orc/Bárbaro que se juntou aos “Bravos Companheiros” que é formado por dois Humanos, 3 elfos e um anão… Quando o Orc não destrói tudo pela frente e tenta agir de outra forma para resolver alguma situação, ele é olhado com espanto.
    Não é só pelo fato de a minha inteligência ser 2 que eu não possa ser um diplomata, afinal, temos múltiplas inteligências, de fato, não possuo inteligência para coisas arcanas… já para o combate corpo-a-corpo…

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