O basquete que Kuroko joga

POR ROBERT R.R. AOMINE

“O inverno vai chegar!”

Você vai entender o porquê da frase. E não, não é sobre Game of Thrones que eu vou falar e sim, de um anime da temporada de abril deste ano, produzido pela Production I.G., chamado Kuroko no Basket baseado em um mangá de mesmo nome que assisti recentemente. Possui 25 episódios e o tema principal do mangá (e consequentemente do anime) é o basquete e foi iniciado no final de 2008, mais especificamente em dezembro por Tadatoshi Fujimaki e conta a história de Tetsuya Kuroko e os demais membros da equipe de basquete “high school” (o equivalente ao nosso Ensino Médio) do colégio Seirin a conseguirem chegar aos Jogos Nacionais e serem campeões (pelo menos, a princípio, este é o objetivo-mor da equipe). Mas claro, obviamente, existirão obstáculos, de certo modo, surreais a serem superados. Sim, surreais, ou você acha que alguém que é capaz de arremessar de qualquer lugar da quadra e acertar é normal? E não, não é num treino ou numa brincadeira de quem acerta do lugar mais longe igual a muitos já devem ter feito (eu já fiz :D), mas no meio da tensão do jogo mesmo. Mas calma que eu vou chegar lá.

Antes de continuar, muitos podem estranhar essa matéria de um anime da temporada de abril sendo postada agora. É que ela estava guardada, como um trunfo. Mas continuando a matéria, caras como o exemplo que citei acima existem no universo do anime e fazem parte da “Geração Milagrosa”. Essa tal “Geração Milagrosa”, citada bastante no decorrer da história, é a equipe de basquete “middle school” (o equivalente ao nosso de 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental) do colégio Teiko que possuía mais de cem membros e dentre eles, haviam cinco jogadores com habilidades extraordinárias e ganharam 3 títulos consecutivos em campeonatos. Mas havia o sexto membro ou também chamado de membro fantasma e que era reconhecido pelos outros cinco. Sim, esse é o Kuroko.

Depois de se graduarem no Ensino Fundamental, cada membro foi para uma escola diferente cursar o Ensino Médio. E Kuroko vai para Seirin. Além dele, um outro novato, chamado Taiga Kagami, vindo dos Estados Unidos para cursar o Ensino Médio no Japão, achando-se o “mothafucka” e se junta a equipe de Seirin com a intenção de levá-la ao topo. É desse ponto que se inicia o anime e que a história começa a se desenrolar. Não vou contar tudo o que se passa na primeira temporada do anime para não estragar muitas surpresas, mas sim, vão ter pequenos spoilers. Conselho: pare aqui e assista. Depois volte, sério.

Uma das coisas que me levou a pegar esse anime para assistir foram os comentários, as críticas, os elogios e um fato muito curioso. O mangá antes da exibição do anime andava mal das pernas. Era um dos últimos do ranking da JUMP e corria o sério risco de ser cancelado. Depois que a primeira temporada foi exibida na TV japonesa, o mangá hoje já se encontra numa posição melhor e mais estável. Muitas das críticas comparam Kuroko com Slam Dunk. Eu li pouco de Slam, só os 6 primeiros volumes, mas o que posso dizer seguramente é que a semelhança entre os dois é somente o tema. O restante é bem diferente, até o estilo de comédia é diferente. Mas enfim, assisti aos dois primeiros episódios e depois dei uma parada. Não por ter sido ruim, longe disso, mas foi por falta de tempo mesmo. Depois que peguei para ver de novo, não consegui parar. Só parei quando acabou a temporada. Você sempre fica naquela expectativa do que vai acontecer no próximo episódio. Não sei se fui o único retardado, mas em algumas partes dos jogos, eu torcia como se fosse um jogo de verdade. Torcia para uma cesta entrar, torcia para que alguém tivesse uma técnica bizarra capaz de virar placares, enfim, é por aí.

Falando em técnicas, o autor em algumas técnicas, principalmente dos jogadores da “Geração Milagrosa”, diz que ela faz uma coisa e só. Não sei se ele não levava muita fé no próprio mangá mas ele depois tenta dar uma explicação do porquê da técnica ou uma avaliação mais profunda da técnica (em algumas). Exemplo? Ryota Kise, um dos prodígios da “Geração”. Sua habilidade descrita inicialmente é que ele pode copiar técnicas e quando as executa, ele executa melhor do que a original. Depois, mais tarde no anime, ao enfrentar um outro membro da “Geração”, é dito que ele, ao ver a técnica sendo feita, ele aprende mais rápido e por isso, ele pode executá-la quase que instantaneamente depois, salvo exceções.

Em relação aos personagens. Os personagens são carismáticos sim, em sua maioria. O autor tenta dar destaque a eles em algum momento da história. Isso inclui o time da Seirin que numa parte diz não depender só dos protagonistas, Kuroko e Kagami. Uma parte em que o autor descaradamente mostra o poder do protagonismo. Mas não que tenha sido ruim, mas achei que foi muito escancarado. Não teve aquela de num momento oportuno mostrar ISOLADAMENTE o que cada um sabe fazer. Nada, foi todos de uma vez. Se é pra mostrar, mostra todo mundo e pronto! Enfim, cada um é bom em alguma coisa ou tem alguma habilidade. O capitão, Junpei Hyuga, é bom em arremessos, principalmente naqueles em momentos críticos. Shun Izuki tem uma habilidade chamada “Olhos de Águia”, que permite a ele ver a quadra sob qualquer ponto de vista. Rinnosuke Mitobe, sempre quieto e calado, é bom nas defesas. Shinji Koganei, é o “pau pra toda obra”, o quebra-galho, pode jogar em qualquer posição e pode arremessar a bola de qualquer lugar da quadra adversária mas com uma taxa de precisão não tão boa, o que torna uma habilidade normal. Satoshi Tsuchida, é habilidoso nos rebotes. Mas obviamente, as estrelas do time são Kuroko e Kagami. Kagami tem um grande potencial que se bem lapidado, pode até rivalizar com os membros da “Geração”. Sua habilidade é a de saltar grandes alturas. Isso ajuda não somente seu movimento comum, a enterrada como também ajuda a bloquear jogadores mais altos. Ele, a princípio, não se dá muito bem com Kuroko por achá-lo fraco, como de fato é.

Kuroko não tem habilidades elevadas, não aguenta correr por muito tempo, não tem um porte físico de atleta, não sabe driblar, nem arremessar. Mas Kuroko tem uma habilidade que é “esconder sua presença”. Ele não esconde sua presença por vontade própria, ele simplesmente não tem presença, o que gera muitas cenas de comédia fora das quadras. Mas essa habilidade dentro das quadras justifica o porquê de Kuroko ser tão respeitado pelos outros membros de seu antigo time. O legal é que a falta de presença para um protagonista deveria ser horrível. Imagina ser ignorado pelas pessoas sempre, ninguém notar sua presença naquele local rodeado de pessoas… Mas o autor transforma isso numa vantagem. Além de render cenas muito engraçadas fora das quadras, com Kuroko “brotando do chão” praticamente, devido a essa “falta de presença”, ele pode fazer passes “invisíveis” pela quadra confundindo o adversário. Ele aproveita a sua pouca presença para fazer com que seus companheiros recebam a bola mais rápido. Mais tarde, o autor explica que Kuroko tira o foco dos jogadores adversários dele e o desvia para outra coisa. Mais uma daquelas explicações detalhistas do autor que citei antes. Com isso, Kuroko ganha o respeito de seus companheiros de time e de Kagami, prometendo ao último que ele vai ajudá-lo a superar a “Geração Milagrosa”. E assim formam a dupla chutadora de bundas da Seirin. Mais tarde, aparece o fundador do time de basquete da Seirin, Kiyoshi Teppei. Era capitão do time antes de Hyuga e é amigo do mesmo. É bastante habilidoso, mas não pode competir com Kagami. Pelo menos, é o que aparenta. Gostei do personagem. E pra fechar o time da Seirin, a técnica Riko Aida, filha do antigo técnico de basquete, cuja habilidade é “escanear status dos jogadores e capacidades físicas” olhando para os mesmos e que possui habilidades culinárias ext…horríveis. Ah, já ia me esquecendo. Lá pro meio do anime, um outro personagem aparece. Para os amantes de animais, mais especificamente de cães ou para amantes de coisas fofinhas (meninas, é com vocês), eis que surge o (por que não?) mascote do time, nomeado por eles de Tetsuya 2, devido a “semelhança” com Kuroko (mais pelos olhos).

Os outros personagens, como Ryota Kise, o “copiador”, que foi para o colégio Kaijo. Tem uma personalidade mais leve, faz sucesso com as meninas e parece adorar Kuroko. Mas não se enganem com seu sorrisinho. Ele protagoniza uma das partidas mais épicas da primeira temporada do anime junto com outro membro da “Geração”. Do mesmo time, o capitão Kasamatsu Yukio, cuja personalidade é bastante severa, quase que o oposto de Kise.

Do colégio Shutoku, o cara que eu citei como exemplo no início desta matéria, Shintaro Midorima, outro membro da “Geração Milagrosa”, aquele que consegue arremessar de qualquer lugar da quadra com 100% de precisão. Sinistro! Ele também tem uma obsessão com o horóscopo. Ele sempre consulta a sorte para todos os signos e trás consigo o objeto da sorte do dia (os objetos são um mais exótico do que o outro), acreditando que assim, sairá vitorioso das partidas. Junto dele, outro que se destaca no time é Kazunari Takao, cuja habilidade são os “Olhos de Falcão”, semelhante ao de Shun Izuki. A diferença entre as habilidades é que a visão de Takao é mais ampla, permitindo ver tudo sem focar em nada. Por causa desta habilidade, ele consegue “anular” Kuroko.

Do colégio Touou, temos a técnica do time da “Geração”, Satsuki Momoi, que tem uma fascinação por Kuroko e se autodenomina a namorada do mesmo. Quando enfrenta um time, ela faz anteriormente uma pesquisa detalhada de todos os membros do time incluindo prever em como se desenvolverão, traçando assim uma estratégia de anular o time adversário. É também amiga de infância de outro membro da “Geração”, e porque não dizer, o mais monstro dos três que foram apresentados na primeira temporada, Daiki Aomine. Aomine é arrogante e egocêntrico por causa de suas habilidades. Possui um estilo de jogo agressivo, imprevisível, versátil e poderoso. Parece um estilo de basquete de rua. Um verdadeiro monstro! É dito como o ás do time Teiko. É ele que protagoniza com Kise uma das partidas mais épicas da temporada. Na época da Teiko, ele que formava a dupla chutadoras de bundas com Kuroko. E temos também Shoichi Imayoshi, o capitão do time. O cara de sorrisinho superficialmente gentil, mas que esconde uma personalidade não tão gentil assim.

Os outros dois membros da “Geração Milagrosa” não são apresentados nesta temporada, somente aparecendo em flashbacks. São citados, mas provavelmente aparecerão na próxima temporada. No episódio final, eles são mostrados rapidamente em cenas que parecem ser da próxima temporada. São cenas que deixam um gostinho de “bando de sem-mãe, colocaram essas cenas só pra deixar a gente na curiosidade”. São eles: Atsushi Murasakibara e Seijuro Akashi, que pelas minhas pesquisas era o capitão do time Teiko. O primeiro se destaca pela sua altura. E o segundo possui cada olho de uma cor. Suas habilidades ainda não foram mostradas e ditas, ou seja, somente descobriremos na próxima temporada.

Em relação a parte técnica, a animação é boa, as cenas de ação são muito bem feitas, são dinâmicas como um anime de esporte deve ser e muito bem dirigidas. O character design é bem próximo do mangá.

A trilha sonora do anime é eficiente. Não é algo marcante mas faz o que deve fazer. As aberturas e encerramentos são empolgantes. Aliás, eu fiquei dias com a música da segunda abertura na cabeça, o que me inspirou a fazer essa matéria. As aberturas são feitas pela mesma banda, GRANRODEO. A primeira é CAN DO e a segunda (a que eu me empolguei) é RIMFIRE. Na primeira vez que as ouvi, não achei que fossem da mesma banda. O primeiro encerramento é feito pelo artista japonês Hyadain (nome verdadeiro: Kenichi Maeyamada) cujo nome é START IT RIGHT AWAY. Legalzinha mas também achei a segunda melhor (segunda abertura e segundo encerramento) cujo nome é CATAL RHYTHM cantado pela banda OLDCODEX.

Enfim, para quem gosta de basquete, é quase que obrigatório assistir. A história é legal pacas, nada extraordinária, não tem complexidade, mas por ser tão simples, ela diverte e te prende. Não se engane também pelo ritmo leve dos primeiros episódios. À medida que os episódios vão passando, a partir do episódio cinco ou seis, a bagaça vai evoluindo do “levizinho” para algo “frenético”. Se você não gosta de coisas surreais, reveja seus conceitos, pois você vai perder um ótimo anime. Não é perfeito, como tudo na vida, tem suas falhas. Tem algumas coisas forçadas, como as habilidades? Tem. Existe o fator protagonismo? Mais ou menos. Se você acha que os protagonistas sempre vão ganhar todas, você vai quebrar a cara, mas existem situações em que eles são “favorecidos” por tal fato de serem os protagonistas. As partidas são bem emocionantes e como dito antes, você vai sempre querer saber o que vai acontecer no próximo episódio. As comparações com Slam Dunk são um pouco injustas porque Slam Dunk é mais “sério”. Kuroko já é mais fantasioso, e acho que isso é o charme do anime e consequentemente do mangá (que eu não li).

Para quem já assistiu o anime, foi confirmado para fevereiro de 2013, um OVA mostrando Kuroko jogando na época em que ele estava em Teiko junto com os outros membros.

E quanto a frase que eu comecei essa matéria. O que ela quer dizer? A temporada encerra junto com o campeonato no qual os protagonistas estão participando. No final, os protagonistas, Kuroko e Kagami dizem que vão se preparar para o “Torneio de Inverno”, pois nele vão encontrar além dos três membros já apresentados, encontrarão também os outros dois. Depois que acabei de assistir ao final no qual foi exibido algumas cenas da próxima temporada, pensei na frase que remete ao começo da matéria: “O inverno vai chegar!”. Depois me veio imediatamente o pensamento: “AGORA A PORRA VAI FICAR SÉRIA BAGARAIO!!!!”. Imaginar os cinco membros da “Geração” se enfrentando, os protagonistas entrarem no meio disso tudo com novas técnicas e mais evoluídos.

Enfim, vou ficando por aqui pois acho que é a deixa para terminar (ficou meio grandinho a matéria e deve ter faltado alguns detalhes) e aguardando a segunda temporada que rezam as profecias, estreia no ano que vem. Uns dizem em abril, outros dizem em julho. Eu não me importo (só me exporto… que piadinha péssima!), só quero que Kuroko volte logo com mais técnicas fantasiosas, insanas e bizarras (tá, eu exagerei). Assistam a um dos melhores animes de 2012, vale a pena.

[ATUALIZAÇÃO] A matéria sobre a segunda temporada está aqui

Tem muita gente boa jogando mas ninguém supera esse aí hehehehe

4 comentários em “O basquete que Kuroko joga”

  1. bom texto. falou tudo q eu achava do anime. tem algumas partes q os protagonistas sao ajudados, eu achei q ia ser isso toda partida e desanimei mas tive uma surpresa contra a partida contra o aomine q pra mim foi o melhor episodio. no começo eu fiquei fã do cara mas a personalidade dele é mto forte. dos tres da geraçao acho q o q meu favorito é o kisei, por nao ser metido.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s