Eu vou renunciar a minha humanidade, JoJo!

POR ROBERT R.R JOESTAR

O que dizer de JoJo’s Bizarre Adventure? É sabido que é um mangá do autor Hirohiko Araki e publicado desde 1987. Tem um total de 107 volumes (ómaigódi!) e ainda está em produção, sendo considerado o segundo maior mangá em publicação no Japão. É dividido em partes/temporadas (o que facilita a leitura), com cada uma tendo o seu elenco e história, mas sempre havendo ligações entre os personagens de cada temporada e tendo como protagonistas alguém da família Joestar. Atualmente ele está em sua oitava temporada. Foram produzidas, em 1993 e 1994 e depois de 2000 a 2002, duas séries, totalizando 13 OVAs (6 na primeira e 7 na segunda) ao todo, baseada na terceira temporada. Muitos dizem que inúmeros detalhes da trama foram ignorados para caber em 13 OVAs. Em 2007, um filme baseado na primeira temporada foi produzido mas foi cancelado por razões desconhecidas. Mesmo com tanto sucesso e carisma de seus personagens no Japão, JoJo nunca chegou a ter uma adaptação em anime. Mas isso mudou no dia 5 de outubro deste ano.

Produzida pela David Production, a mesma que produziu Level E ano passado, a adaptação conta a história da primeira temporada (Não se sabe se extenderá e contará a história das outras temporadas, se será dividida em temporadas igual o mangá, enfim, por enquanto, isso é uma incógnita). A história de Jonathan Joestar (apelidado de JoJo) e Dio Brando. E uma máscara de pedra estranha pra caramba.

Eu conheci o nome JoJo (a série) por causa de um jogo de luta lançado pela CAPCOM em 1999 primeiramente para Arcade e depois para o primeiro PlayStation. Era muito divertido. Quando soube da notícia que iria sair um anime de JoJo tratei logo de pegar para ver, até porque, apesar de ter gostado muito do jogo e ficado na curiosidade de saber mais da história, meio que só fiquei na vontade mesmo. A seguir, vou opinar sobre os três episódios lançados até o momento, contando partes importantes dos mesmos. Então, sim, contém spoilers. Vou avisar de novo para ninguém reclamar depois: CONTÉM SPOILERS!

A história começa na Inglaterra, em 1868, um nobre, Joestar, viaja numa carruagem com sua família quando esta cai num desfiladeiro matando o cocheiro e sua mulher. Um velho cachaceiro, oportunista, trapaceiro…(quantos elogios) chamado Dario Brando encontra os destroços e pensa em roubar os bens de valor e meter o pé. Vê uma mala entreaberta com uma máscara de pedra mas a ignora por achar que não vale nada. Só que não contava que Joestar estivesse vivo e seu filho, um bebê, também. Ao recobrar a consciência, pensa que o velho filho-da-mãe foi seu salvador, assumindo uma dívida de gratidão com o mesmo.

Doze anos se passam e o bebê, Jonathan Joestar, um jovem serelepe pimpão, tem como objetivo se tornar um legítimo cavalheiro. Já o filho de Dario…peraí, imaginem a pessoa mais mesquinha, cruel, diabólica, sem escrúpulos, desgraçada, lazarenta, ambiciosa, gananciosa, arrogante e fdp que se possa imaginar e eleve isso a níveis épicos. Conseguiu imaginar? Agora adicione a isso um estilo “Sou foda, digdin digdin”. Pronto, temos Dio Brando. Dio vive na extrema pobreza tomando conta do pai que está doente (Ou pelo menos, se pensa assim). Dario, em seus últimos momentos, entrega o endereço de Joestar pedindo que Dio vá ao encontro do mesmo para cobrar uma dívida que Joestar tem com ele.

Agora que a merda começa a feder de verdade. Dio chega à morada dos Joestar, se apresentando como filho de Dario. Joestar o aceita como um filho e convida Dio a morar na mansão. Pessoas normais ficariam alegres, felizes por poderem viver no luxo e tal. Mas Dio não é normal. Ele quer mais.

Ele começa a colocar em prática um plano para destruir Jonathan, mental e psicologicamente para que no futuro somente ele, Dio, herde a herança da família. Nos dias atuais, usaríamos o termo “bullying” pois está na moda. Tá vendo como o cara é um vadio?

Primeiro, ele já chega na mansão bicudando o cachorro de Jonathan (chutar o cachorro é muita sacanagem). Inventa uma desculpa para bancar o bom moço e se safa. Depois faz com que se sobressaia melhor do que Jonathan em todas as tarefas da casa e até mesmo com os modos à mesa, fazendo com que o pai de Jonathan comece a compará-los e assim sendo mais rígido com o filho por achar que o mimou demais. Depois, Jonathan sai para se divertir praticando boxe com seus amigos. Ele é o campeão do local mas adivinha quem chega para desafiá-lo? Sim, Dio Brando. Jonathan leva uma escovada de Dio com direito a vadiagem de enfiar o dedo no olho e o caramba. Se não bastasse, espalha boatos de que Jonathan é dedo-duro. Que legal! Jonathan fica com a fiel companhia de seu cachorro, Danny.

Após isso tudo, Dio esperava que Jonathan se isolasse do mundo, mas isso não acontece pois Erina, uma jovem do local aparece para abrilhantar os dias e apaziguar a angústia do coração de Jonathan. Eles se conhecem, ficam mais íntimos, passeam, nadam juntos…Ah, o amor juvenil…até que Jonathan escreve seu nome e o de Erina numa árvore envoltos por um coração. Tá vendo que bonito? Mas foi uma cagada que Jonathan fez. Dio descobre a fonte de alegria e de viver de Jonathan e junta alguns amiguinhos para encurralar e roubar o primeiro beijo que a pobre Erina havia guardado para Jonathan. Só que Erina, com nojo do acontecido, limpa a sua boca numa poça de água suja (suja mesmo). Dio, inconformado com a forma de protesto de Erina, mete uma bofetada na fuça. Estão contando quantas coisas o fdp já fez, né? Erina fica com vergonha de se encontrar com Jonathan, que fica sabendo pelo povo do local o que de fato havia acontecido. E pronto. Eis que FINALMENTE Jonathan toma uma atitude de homem e vai cobrar Dio sobre o acontecido. E senta a mão em Dio. Mas senta com vontade. Depois de ver toda a vadiagem de Dio e inanição de Jonathan, desse ponto a coisa já começa a mudar. No meio da briga, o sangue de Dio cai na máscara estranha de pedra citada anteriormente. Ela cria espécies de garra e cai da parede, mas na confusão, ninguém percebe isso. A briga é separada pelo pai de Jonathan e cada um vai pro seu quarto.

Agora vem a vadiagem definitiva de Dio no primeiro capítulo. No dia seguinte, um empregado vai incinerar o lixo, percebe uma caixa de madeira na fornalha mas não liga muito. Quando ele acende a fornalha e observa movimentos estranhos vindo dela, se dá conta que há algo ou alguém ali. Quem ou o que poderá ser? Simplesmente o Danny, o cachorro de Jonathan. Nessa parte eu fiquei extremamente inconformado. Tá certo que é anime, é tudo de mentirinha, mas não curti muito essa parte não. Mas continuei a assistir. Depois fazem um enterro para o cachorro e Jonathan desconfia que tenha sido Dio mas um empregado diz que o mesmo não estava na mansão. Quem leu o mangá (não é o meu caso, me confirmem se eu estiver errado), diz que essa parte foi censurada ou cortada mesmo (talvez apareça no Blu-ray que será lançado no final de janeiro de 2013). No mangá, Danny consegue sair da fornalha, mas já com a metade do corpo só com os ossos à mostra e em chamas. Sinceramente, foi bom não ter mostrado mesmo. Eu teria ficado mais puto do que fiquei.

Passagem de sete anos, Dio e Jonathan estão quase se formando. Dio se formando em Direito e Jonathan em Arqueologia. E jogando rugby juntos! Sim, apesar de se tratarem com gentileza, um não sente a mínima amizade pelo outro. Ganham o jogo numa jogada feita pelos dois. Após ganharem a partida, Dio chama Jonathan para visitar o pai deles (Dio já chama Joestar de pai causando uma certa surpresa por parte de Jonathan). O patriarca dos Joestar está debilitado na cama. Depois fazer alguns testes com a máscara de pedra e de achar uma carta de Dario Brando endereçada a seu pai há sete anos atrás no meio de alguns livros dizendo que estava doente e descrevendo os sintomas que estava sentindo. E conclui que são os mesmos sintomas descritos pelo seu pai. Jonathan vai atrás de Dio pois acha que o mesmo quer matar o seu pai da mesma maneira que matou o dele. Um empregado vai levar o remédio para Joestar, nisso Dio pega a bandeja e diz que ele mesmo vai levar. Na subida da escada, ele troca o papel contendo um remédio por um outro que estava em seu bolso. Jonathan aparece e exige saber o que tem dentro do papel. Dio se diz insultado pela abordagem de Jonathan e pede para Jonathan se desculpar para ele esquecer sobre o assunto. Só que Jonathan diz que se Dio jurar pela honra de seu pai, Dario que não há nada de errado com o remédio, Jonathan ignorará o evento e nunca mais tocará no assunto. Dio, ao lembrar do pai, diz que “aquele velho não merece nada”. Sendo assim, Jonathan fica com o remédio que Dio ia entregar a seu pai, coloca médicos para medicarem seu pai e parte para Londres procurar saber o que é aquele remédio.

Ao chegar a Londres, Jonathan descobre que se trata de um veneno de origem oriental. Vai até a avendia mais perigosa da cidade, a Avenida Ogre, pois lhe foi dito que lá encontrará aquele que fabricou o veneno e consequentemente terá um antídoto para o mesmo e lá é encurralado por vários ladrões sendo um deles, Robert Edward O. Speedwagon. Não precisa dizer que os ladrões e Speedwagon apanham facilmente. Nisso, chegam mais ladrões, só que Speedwagon percebe que Jonathan foi um cavalheiro por não ter usado toda a força que tinha para atingi-los e assim, reconhecendo o homem que Jonathan é, ajuda o mesmo a achar o fabricante do veneno. Paralelo a isso, Dio entra no escritório de Jonathan, arromba uma gaveta da escrivaninha e tira dela, a tal máscara estranha que Jonathan estava pesquisando. E Dio decide fazer suas próprias pesquisas. Também vai a Londres e encontra com dois ladrões. Mata um e com o sangue deste, joga na máscara e coloca a mesma no rosto do outro. As garras saem da máscara e parecem perfurar o cérebro do mesmo que se debate no chão e aparentemente morre. Dio vira as costas e o homem levanta com olhos estranhos e com presas e desce o braço em Dio. Depois, ele encurrala e começa a roubar energia vital de Dio e quando tudo parecia estar acabado para o vadio, o sol surge no horizonte e o homem é desintegrado. Sim, o homem havia se transformado em um vampiro.

Dio volta para a mansão e em seguida, Jonathan surge nela dizendo que descobriu tudo e que chamou a polícia para prende-lo. Dio faz uma cena, pede que Jonathan lhe dê um tempo para se entregar para a polícia, dá uma chorada (o cara é um ator NATO, muita dissimulação!), se diz arrependido por tentar envenenar o homem que lhe deu tudo e blá blá blá. Só que Speedwagon surge, diz que preocupado com a segurança de Jonathan o seguiu para verificar se estava tudo bem e diz que desde que nasceu, está acostumado com trapaça, mentira e toda a escória da humanidade. E que ele reconhece uma pessoa má pelo cheiro. No caso de Dio, fede. Depois disso, Speedwagon trás o homem que fabricou e vendeu o veneno para Dio. Aí Dio não tem saída mesmo, se ferrou. A polícia e o Senhor Joestar aparecem. Quando a polícia vai prender Dio,o mesmo pede para ser preso por Jonathan. Quando Jonathan vai prende-lo, Dio saca uma faca da tipoia que estava usando no braço (depois da surra que levou do homem que ele ajudou a transformar num vampiro) junto com a máscara estranha para acertar Jonathan. Mas acaba atingindo o pai de Jonathan, que se joga na frente do filho para protegê-lo. Com o sangue do Senhor Joestar em mãos, Dio coloca a máscara e passa a mão cheia de sangue na mesma. Após isso, ele recebe uma saraivada de tiros sendo isolado pela janela caindo sem vida fora da mansão. Todos pensam que Dio morreu. Joestar pede para Jonathan prometer que vai enterrar Dio ao lado de seu pai pois crê que mesmo com toda a mordomia que Dio tinha, ele ainda se sentia sozinho. É revelado também que Joestar sabia que o pai de Dio, Dario havia o enganado pois havia sido preso tentando vender o anel que roubou de Joestar. Chamado pelo oficial da polícia para reconhecer o ladrão, percebe que era Dario e mesmo assim, inocenta-o do crime. Depois desta revelação, Joestar falece nos braços do filho.

Após isso, o corpo de Dio desaparece e uma chuva de sangue toma conta da mansão dos Joestar. Dio, agora um vampiro, mata todos os policias, restando apenas Jonathan e um Speedwagon ferido. A mansão começa a pegar fogo e Jonathan pede Speedwagon ir embora. Ele sobe até o telhado da mansão. Dio o segue atravessando o telhado e tentando pegar Jonathan desprevinido. No meio da luta, Jonathan se joga contra Dio e os dois caem no que parece ser a morte de ambos, ou pelo menos de Jonathan, pois Dio garante que não morrerá com a queda. Depois de Dio se livrar de Jonathan e este cair para o seu provável fim, Jonathan consegue achar um apoio para tentar subir e segurar Dio novamente. Só que não consegue. Eis então que Jonathan tira o cinto e envolve a perna de Dio com o mesmo. Os dois caem. Jonathan cai com Dio que ri, repetindo que não morrer na queda. Só que ele não esperava que eles caíssem sobre a estátua do saguão principal da mansão dos Joestar, que perfura Dio, o prendendo lá e o fogo começa a consumi-lo.

Pronto, Dio está morto. Ou assim, Jonathan e Speedwagon pensam. No final do terceiro episódio, o fabricante de veneno vai pegar a máscara estranha entre os escombros, mas uma mão queimada sai de dentro deles e começa a sugar a energia vital do velho, o deixando seco, moribundo e…morto. Apenas um olho é mostrado. Dio não morreu.

Quanto a parte técnica…vamos lá. A animação não é uma maravilha, devido ao baixo orçamento que o estúdio teve, mas mesmo assim conseguiram deixar o anime atraente, dando um charme pro anime e para quem não gosta de animação e traços “antigos”, estilo anos 80, vai estranhar um pouco ou não vai querer assistir. E não, não faça isso. Assista! Onomatopeias saltam da tela fazendo parecer como se o mangá, de fato, estivesse ganhando vida. Um efeito muito interessante.

A dublagem é sensacional. Os dubladores dos protagonistas, Jonathan e Dio, trabalham muito bem, diga-se de passagem. As músicas são boas, estilo clássico do século XIX. A abertura e o encerramento são muito legais de se ouvir. Quem canta a música de abertura, “JoJo ~Sono Chi no Sadame~” é Hiroaki “Tommy” Tominaga e a ótima música de encerramento é “Roundabout” da banda Yes, ideal para entrar no clima oitentista do anime.

Uma curiosa característica de JoJo são as poses exóticas dos personagens. Dio então abusa delas. Se quer aprender como sair de uma carroça com pose cheio de estilo, aprenda com Dio como se faz. Tem também os gritos peculiares de cada personagem. Falando neles, os personagens tem seu carisma. Jonathan Joestar é um protagonista que eu não dava muita coisa por ele mas achei que durante os três primeiros episódios, ele está ficando atrativo. Ele é o típico protagonista de mangás dos anos 80. Honrado, forte, bombadão (depois das passagens de tempo), lembrando visualmente o Kenshiro de Hokuto no Ken. Speedwagon ainda não mostrou a que veio, mesmo porque, só apareceu em um episódio. Mas Dio Brando, ah esse sim. Ele mostra o que realmente é ser vilão. Os vilões de muitos filmes, séries, outros animes, etc deveriam ter como livro de cabeceira, “Aprenda a ser um vilão com estilo e doses cavalares de crueldade com Dio Brando” ou “Seja verdadeiramente mau com os ensinamentos do Mestre Dio Brando” ou então no melhor “Renuncie a sua humanidade por Dio Brando”. Ele é mau mesmo de maneira simples e crua. Não tem meio termo, não tem firula, frescura ou outra coisa qualquer. Ele é essencialmente mau. Enumerem todas as maldades que ele faz em três episódios e vai ter muito vilão aí com vergonha de sair na rua por não ter feito a metade numa série inteira. É um personagem que você vai amar odiar. Ok, temos um paradoxo.  Simplesmente o melhor personagem do anime até o presente momento!

Então, pare de assistir a esses animes meia-boca que tem por aí e vá assistir JoJo. Visualmente, pode não agradar a alguns (ou muitos) mas pela história, pelos personagens e pelas peculiaridades que a série possui vale a pena. Sério, pode confiar. E pode comentar aqui embaixo também. A gerência agradece!

Editado em 18/12/2012: Quer continuar lendo sobre JoJo? Acesse a matéria – Eu te reverencio, JoJo!

Uma consideração sobre “Eu vou renunciar a minha humanidade, JoJo!”

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