Um Pacto de Sangue

POR JOSÉ ALFREDO

Após um longo período sem resenhas, volto aqui falando sobre um dos últimos animes que assisti que de certa forma vai atormentar minhas noites de sono por algum tempo. Estou falando de Blood-C.

Lançado ano passado (2011), esta é a 3ª apresentação em tela da franquia “Blood”, cuja protagonista é Saya, uma aparentemente adolescente que derrota monstros sanguinários com uma katana. Em cada adaptação há uma história nova sem qualquer ligação entre elas, muitas delas já feitas em mangás e light novels, mas a premissa é sempre a mesma.

Blood-C foi produzida pelo estúdio Production I.G, que já produziu tanto o primeiro filme “Blood: The Last Vampire” quanto o anime anterior da franquia “Blood+” entre outros animes famosos como a série Ghost in the Shell e Furi Kuri (ou FLCL). Colaborando na produção, arte das personagens e no roteiro estão as meninas da CLAMP, que responsável pelas séries X, Tokyo Babylon, Tsubasa: Reservoir Chronicle e xxxHolic (que depois veremos que indiretamente tem uma relevância neste anime).

É bom falar que o anime em si é belíssimo. O selo CLAMP é marcante, mas num bom sentido. Os traços das personagens expressam bem suas personalidades (o que é um auxílio tremendo num anime curto onde é comum não haver um desenvolvimento elevado das personagens coadjuvantes) e a trilha sonora é muito boa. Logo após terminar o primeiro episódio fiz questão de procurar a música de abertura “Spiral” da banda Dustz. As músicas de fundo e de luta também cumprem seu papel de forma perfeita. Fica o destaque pras músicas bobinhas de Saya que são muito divertidas e que são cantadas pela cantora Nana Mizuki que já dublou outras personagens famosas como Hinata de Naruto.

Neste anime de 12 episódios, Saya desta vez é uma aparente garota que vive numa cidadezinha bem no interior do país cujos dias são bem simples como a de qualquer menina. Estuda no segundo ano num pequeno e único colégio da cidade, ajuda seu pai, Kisaragi Tadayoshi, sacerdote do templo local, na sua manutenção. Mesmo sendo estabanada e absurdamente ingênua, mostra alta perícia nos esportes. Gosta de cantar quando vai pra escola e adora beber café. Todavia, quando é noite ela caça SANGUINÁRIOS e HEDIONDOS (sim, em letras maiúsculas) monstros chamados de “Furikimonos” que possuem uma insaciável fome por carne humana. Tomando o lugar de sua mãe, morta pelos monstros, Saya é a única que pode os enfrentar com a sagrada espada Goshintou e proteger a todos… Ou será que não?

Além da protagonista, Kisaragi Saya e seu pai, temos Nanahara Fumito, dono do Guimauve, uma cafeteria que se localiza próximo ao templo. Ele é amigo e foi calouro de Tadayoshi nos tempos de ensino médio e é ele que prepara o almoço de Saya e Tadayoshi, já que ambos não sabem cozinhar.

No colégio temos os amigos de Saya: Amano Yuka, a racional da turma que possui um grande par de…tolerância. Temos as espivetadas irmãs gêmeas Motoe, Nene e Nono, que estão sempre querendo fazer algo divertido, Tomofusa Itsuki, o representante de turma que tem uma quedinha pela Saya e Tokizane Shinichiro, o típico aluno distante que evita contatos com todos, mas que logo também nutrirá sentimentos por Saya. Há ainda a belíssima professora Tsutsutori Kanako que no passado era uma pesquisadora. Mais pra frente terá também um lindo cãozinho que tem estranhas marcas na testa e pode falar. Ele diz que é o dono de uma loja que realiza desejos alheios (como disse lá em cima, fãs de xxxHolic, pensem o que quiserem. =D)

Normalmente séries curtas de 12/13 episódios possuem um ritmo diferente. Quando é a CLAMP que está por trás, pode acreditar que sua cabeça explodirá. Entre outras coisas.

Os 3 capítulos iniciais, digo eu, que seguem de forma bastante linear com Saya agindo como uma adolescente durante as manhãs e tardes e a noite tendo um combate contra um Furukimono. Já aviso aqui que os combates sempre são bastante tensos e com altos requintes de brutalidade de ambos os lados.

Até esse ponto, os únicos questionamentos que o telespectador pode ter é o porquê dos monstros estarem atacando e como no dia seguinte Saya se mostra praticamente ilesa independente dos ferimentos das batalhas (coisas básicas do tipo, perfurações, perdas de pedaços e etc).

Ah, é importante deixar claro e pra evitar que você se irrite tanto quanto eu, que a série toma como base a perspectiva de Saya. Pode parecer óbvio, mas vai haver muitas e muitas vezes em que você xingará, irá reclamar que o anime é idiota, mas lembre-se que você está vendo um anime cuja perspectiva é a de uma menina idiotamente ingênua. Pra evitar spoilers, só digo que vai demorar um bocado até a Saya perceber que sequer sabe o nome da sua mãe, mas relaxe, a frustração passará e logo você vai entender.

Continuando, os episódios seguintes acrescentarão novos questionamentos sobre o que significa o Pacto, tanto mencionado pelos Furukimonos, as constantes dores de cabeça de Saya e seus sonhos.

Todas essas dúvidas só serão respondidas nos últimos episódios de forma tão impactante que dificilmente você terá previsto da forma que esperava. Essas respostas valeram a pena ter assistido ao anime.

Tem mais uma coisa que quero falar: assisti ao anime Elfen Lied (e creio que muitos que leram isso tenham visto também ou ao menos conheçam) e Genocyber (talvez alguns conheçam esse OVA por causa do nostálgico U.S. Mangá da mais nostálgica ainda, a emissora Manchete) durante um bom tempo eu tomava como o anime e o OVA mais gratuitamente violentos que já vi. Bem, os episódios 9 e 12 de Blood-C me fez rever quanto ao posto do anime mais violento. Chega a beirar o gore. Jig Saw questionaria o porquê de tamanha brutalidade. O anime é permeado de cenas violentas mesclados com certa conotação sexual (coisa típica da CLAMP, nada óbvio, bem implícito). Cada morte, por exemplo, resulta numa Saya empapada de sangue (tanto dela quanto da vítima), mas os episódios 9 e 12 são surreais.

Vi tanto o filme “Blood: The Last Vampire” e o anime “Blood+” e enquanto o primeiro foi excelente, o segundo no decorrer do tempo deixou de ser muito bom para moderado. Quanto a Blood-C, gostei muito principalmente por conseguir em 12 episódios apresentar e fechar um arco de uma história. Agora estou ansioso em assistir o filme “Blood-C: The Last Dark”, que fora lançado em junho deste ano (2012) no Japão, para ver como se encerra essa história.

Para quem acompanha a franquia, é obrigatório de assistir. Para os daltônicos, talvez não. =/

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