MMO’s Free: Pra Que Te Quero? – Parte 2

POR JOSÉ ALFREDO

MMORPG’s Convencionais

Antes de mais nada, para quem não viu a Parte 1 está aqui o link: https://vocevaientender.wordpress.com/2012/01/12/mmos-free-pra-que-te-quero-parte-1/

Venho aqui apresentar a parte 2 desse Especial sobre MMO’s grátis. Tive várias surpresas, umas inesperadas, outras decepcionantes e umas excepcionalmente ótimas. Neste trataremos sobre 2 MMORPG’s que seguem a linha fantasia medieval ocidental.

Talvez alguns de vocês, como eu, já tenham visto no Youtube vídeos, já lido resenhas sobre ou até já jogado um desses jogos. Logo, repito o que já dissera no texto anterior que exponho aqui minha OPINIÃO sobre meu ponto de vista com relação a eles. Da mesma forma que muitos dos jogos que li/assisti sobre ao jogar tive uma experiência diversa da testemunhada nos textos e vídeos. Oh, que surpresa, a teoria nem sempre condiz com a prática.

Para cada jogo eu testei de 1 a 2 dias jogando variando em virtude puramente do divertimento que o jogo me ofereceu.

Agora chega de embromação e vamos começar essa bagaça. E começamos por um que REALMENTE definiu esta geração de MMO’s.

EverQuest 2

Lançado em 8 de novembro de 2004, EverQuest 2 é um jogo desenvolvido pela Sony Online Development e se trata de um MMORPG de fantasia medieval habituado no mundo de Norrath seguindo a cronologia do jogo anterior.

Muita gente provavelmente não sabe ou se faz de sonso, mas praticamente toda essa geração de MMO’s de hoje teve sua mecânica e interface baseada em EverQuest 2, até o pica das galáxias World of Warcraft. Bem, tá bom que certas coisas EQ 2 pegou de WoW, como as Battlegrounds (que pode se resumir como um PvP entre grupos), mas é assim mesmo no mercado de jogos.

EverQuest 2 fora um dos MMO’s que mais resistiram a ficar grátis, mas como todos os outros teve que ceder, pois estava perdendo muitos jogadores.

Devo dizer que quando instalei o jogo e vi algumas imagens que apareciam no downloader e até o visual do mesmo, pensei que não iria curtir o jogo, mas… bem, comecemos.

  • Gráficos – Primeiro gostaria de dizer que é raro ver um jogo de fantasia medieval que realmente pareça fantasia medieval como as histórias, filmes e até aventuras de RPG de mesa. Normalmente acabamos vendo personagens andróginos com cabelos espalhafatosos ou super deformados caricaturados (como ocorre em vários MMO’s orientais). Foi um sopro de novidade para mim os design das personagens de EverQuest 2. Falando nisso, mesmo o jogo sendo de 2004 eu digo que os gráficos são belíssimos mesmo para os padrões de hoje. O nível de detalhes é tremendo, principalmente dos itens do jogo (em destaque das armaduras). Ver cada argola que compõe o item bem feito foi impressionante. Os cenários são lindos e bastante vastos.

  • Imersão do Jogo – Voltando um pouco o que disse acima, fiquei impressionado com a aparência do jogo, por começar das raças. Já na parte de criação de personagens deu pra ver que o jogo tenta ser bastante fiel a aparência original de cada raça. Tomando como base os meio elfos, eles expressam bem a mistura de um humano com um elfo. Um equilíbrio entre a aparência esguia élfica com a diversidade humana demonstrada nos cortes de cabelo, tatuagens e expressões faciais o que denota bem excentricidade dos meio elfos. A raça bárbara, por exemplo, deixa clara a herança dos gigantes que eles têm, devido sua robustez e porte, mas sem parecer um humano com elefantíase como ocorrem nos humanos homens de World of Warcraft. Além da aparência física fidelíssima das raças, suas notórias peculiaridades também se mostram no jogo ativamente. Ver que, entre outras características passivas que remetem a herança élfica como a afinidade com a natureza, os meio elfos possuem Infravisão foi uma surpresa. Quem joga AD&D ou outros RPG’s de mesa sabe que tanto os elfos quanto os meio elfos possuem tais habilidades, mas normalmente elas são deixadas de lado em jogos por serem consideradas irrelevantes. Bem, em EverQuest 2 não é.

Saber que a raça é fator determinante, não apenas para a escolha da classe, mas que também traz características verdadeiramente únicas e que também evoluem auxilia e muito ao jogador se empolgar com a personagem que criou. Ah, outro fator interessantíssimo é que dependendo da sua raça determina se você é bom, neutro ou mau. Há 20 raças no jogo e bastante variadas, até mesmo entre os próprios alinhamentos.

Mesmo que de forma simples, os inimigos também têm seu destaque na hora do combate. Um esqueleto, por exemplo, quando investiu contra mim soltou uma gargalhada mórbida que ressoou no meu fone de ouvido. Outro momento foi quando enfrentei uma espécie de harpia e ao acertar um ataque crítico penas voaram do corpo enquanto ela guinchava de dor. Todo o som do jogo, tanto as vozes quanto as músicas são impecáveis. Nem comentei muito da história, até porque ela é estranha para mim ainda, mas dentre os jogos que baixei, este será um que manterei.

  • Jogabilidade – Como disse lá em cima, muito do que se vê em 3D MMORPG’s veio daqui, então sua mecânica e interface não apresentam nada de diferente. Todavia, há várias opções de como se pode interagir no jogo como poder alugar uma casa e poder mobiliá-la. Outra coisa legal é que você pode mudar de alinhamento no decorrer do jogo. Então um Dark Elf pode muito bem virar bondoso. Há um recurso também chamado locked encounters que quando você ou seu grupo inicia um combate com um inimigo ninguém poderá se intrometer matando o monstro praticando assim o kill steal (basicamente matar um monstro que você atacou antes e assim obter os louros da vitória). Para habilitar que outros o jogadores o auxiliem, você deve usar o comando /yell (que seria o mesmo que gritar no jogo pedindo ajuda). Olha aí a imersão do jogo de novo.

O leveling é bem atraente e me aguça a ver até que ponto minha personagem chegará.

  • Acessibilidade – Os requisitos mínimos para jogá-lo são de uma CPU de 1,5 GHz, RAM de 1GB, 10 GB de espaço e uma boa placa de vídeo de 128mb. Pode não parecer até pela idade do jogo, mas ele pode parecer um pouco pesadinho para os despercebidos, mas nada que cause preocupação.

Agora quanto aos planos de serviço são 3: o grátis, o Silver e o Gold.

O plano grátis fornece de importante:
1.4 das 20 raças e todas elas são de alinhamento neutro (Barbarian, Human, Erudite e Half Elf);
2.2 classes de cada um dos 4 arquétipos (Fighter, Healer, Scout e Mage) das 25 classes do jogo;
3.Pode criar apenas 2 personagens por conta;
4.Cada personagem pode ter no máximo 2 Bags (que seriam compartimentos para guardar itens).

Eu diria que para um plano grátis até que está de bom tamanho, tirando a parte das Bags que realmente incomoda e limita um pouco. As raças disponíveis são interessantes e dá pra ter uma noção boa de como cada classe funciona no jogo.

Quanto ao plano Silver, para ele ser obtido deve-se gastar R$ 8,00 (aham, isso que você leu) pelo upgrade e pronto. De diferencial pelo que expus acima, você poderá ter 4 personagens por conta e 4 Bags. Se você curtiu muito o jogo e durante sua jogatina free já reuniu amigos e até está participando de uma guilda, creio ser barato e válido o investimento. Um pacote de 3 raças ou 1 classe custa R$ 12,00 o que também pode valer a pena dependendo do quanto curta o jogo.

Terminando, o plano Gold dá acesso completo (exceto as expansões que são compradas a parte independente do plano) por uma mensalidade de R$ 24,00. Como já mencionei no texto anterior, normalmente você gasta isso indo numa lanchonete ou ao cinema, mas mesmo assim só acho válido se você pretende se comprometer com o jogo. Várias vezes paguei mensalidade para jogar um MMO e ver que durante um mês inteiro eu devo ter jogado por no máximo umas 10 horas, não que isso seja pouco, mas dá a sensação que você pouco aproveitou seu investimento.

  • Conclusão – Tive uma ótima experiência de jogo com EverQuest 2. Gostei e ainda estou curtindo o jogo, mas sem pretensões de ser mais do que casual. A atmosfera que o jogo tem, fez-me sentir numa mesa de jogo de RPG. Se você sempre achou bizarro o visual de outros MMO’s, EverQuest 2 é uma ótima opção. Se você quiser jogar um MMO com uma mecânica mais aprofundada com relação a sua personagem, tá aí o jogo.

Dungeons & Dragons Online: Eberron Unlimited


Desenvolvido pela Turbine INC e lançado pela Atari em 28 de Fevereiro de 2006, foi-nos agraciados a oportunidade de jogar o mais famoso jogo de RPG já lançado, agora numa versão online.
A surpresa do jogo, para os conhecedores do sistema, é que ao invés do MMORPG se basear no cenário clássico de Greyhawk ou no seu mais famoso cenário, The Forgotten Realms, os desenvolvedores do jogo preferiram adotar o recém criado mundo de Eberron (lançado em Junho de 2005). Bem, comecemos.

  • Gráficos – Já começo dizendo que me decepcionei com os gráficos das personagens. Achei bem genérico e sem vida. Poderiam ter se dedicado mais com isso já que 100% do tempo eles estarão na sua tela. As imagens que eu vi e as que vocês verão aqui iludem bem. A parte de criação das personagens apresenta uma variedade adequada o bastante para não haver a todo instante personagens iguais, mas já deixo claro que não é o bastante para você se divertir na customização da sua aparência. A aparência dos monstros (já que há centenas) estão boas, até porque estamos falando de um sistema de RPG que possui vários livros voltados unicamente para eles, mas após a terceira horda de monstros iguais, você só vai querer matá-los o mais rápido que puder.

A movimento e efeitos das habilidades dos personagens e monstros são bem simples.

Outro ponto desfavorável fora a questão dos cenários ao ar livre. Poderiam ter sido mais detalhistas. Já quanto a locais fechados, principalmente nas Dungeons do jogo, um carinho maior foi dado e são bem melhores visualmente.

  • Imersão do Jogo – Como disse acima, o mundo utilizado para o jogo é o de Eberron, que já devo ter falado por aqui no blog ser o meu favorito (se não disse, to falando agora). É um mundo que não diria necessariamente medieval (mesmo que o seja), mas eu poderia simplificar dizendo que ao invés do NOSSO mundo fosse baseado na ciência, mas baseado na magia, ele seria bem parecido com Eberron. Uma lâmpada é acesa não através de eletricidade, mas de aparato mágico criado especificamente para gerar luz quando necessário. Eu adoro esse cenário por além de toda magia e uma ação bem ímpar, há também um ótimo enredo envolvendo política e espionagem.

Enfim, um mundo onde você pode muito bem ter derrotado um conclave de necromantes em nome de um reino ontem e uma semana depois você pode estar sendo acusado de assassinato pelo monarca do reino onde estes necromantes foram mortos.

Mas por que estou falando sobre isso? Bem, o jogo se foca unicamente no continente de Xen’drik, região essa que fica a sul no mapa e aonde toda a “tecnologia” do mundo não chegara. Pra não estender muito, é uma grande floresta habituada por raças quase extintas ou totalmente selvagens. O local onde boa parte do tempo sua personagem residirá será na cidade de Stormreach, a maior e mais importante cidade civilizada do continente. Só por isso deixa claro o motivo de Eberron ter sido escolhido como cenário: é mais fácil de adaptar esse continente para um formato de jogo como o MMO do que se utilizar o cenário de Forgotten Realms já bem conhecido com suas características únicas ou o de Greyhawk porque… Droga, por que não usaram Greyhawk, o mundo arroz com feijão de D&D? Era tanto receio do jogo ser mais genérico ainda?

Só quero deixar claro que não vejo problema em usar o continente de Xen’drik no jogo, mas sim em usá-lo desde o início. Numa aventura normal de RPG Eberron, provavelmente uma ida em Xen’drik seria algo mais para frente, quando as personagens já estivessem bem evoluídas talvez em busca de um artefato poderoso ou algo tão importante como. Num MMORPG seria um ótimo lugar para personagens de nível alto, já que o lugar inteiro é imerso em segredos e perigos ancestrais. Agora usar desde o início? No decorrer do jogo você acaba visitando outros planos paralelos ao mundo, mas nada que o impacte o bastante para se sentir num mundo diferente do que é visto em outros jogos.

Uma coisa que gostei realmente e não tinha visto antes, é a interação que você tem com o cenário, principalmente nas dungeons em local fechado (pelo menos fora o que vi até o ponto em que cheguei jogando). Alavancas para abrir passagens, manobras para evitar ou desativar armadilhas e até um pseudo quebra cabeça para fazer um mecanismo liberar uma rajada de gelo e congelar uma entrada. Esses fatores de interação e exploração fazem com que você fique sempre atento ao que há a sua volta, dando a sensação de uma sessão de jogo de mesa.

  • Jogabilidade – A primeira diferença logo de cara que você perceberá é na parte dos combates. Ainda há barras de atalhos onde você pode colocar suas habilidades especiais (magias, técnicas de combate) e perícias (sim e logo você vai entender como), mas seus ataques básicos são determinados pelo click de seu mouse. Se quer acertar um goblin com uma espada, você terá que se posicionar corretamente e apertar o botão do mouse quantas vezes forem necessários para liquidá-lo. Esse é um estilo de jogo chamado Real-time Tactics Combat, muito utilizado em jogos de aventura e ação. Quando se usa uma arma de longo alcance, você praticamente brinca de FPS (só que na terceira pessoa).

O jogo se utiliza de vários recursos para trazer ao jogador a sensação de como se estivesse jogando numa mesa de RPG. Por exemplo, diferente de outros MMO’s, onde o nível máximo é o 100, aqui se utiliza o mesmo adotado no sistema, o nível 20. No entanto, para alcançar cada nível, você deve evoluir graduações nele (Ranks) até alcançar o nível seguinte. A cada graduação alcançada você recebe pontos que servem para aprimorar certa característica da sua raça ou da sua classe.

Como já disse há perícias no jogo que dependendo são características da sua classe ou não e aí você acaba tendo que investir o dobro de pontos para obtê-la. Perícias como Procurar, utilizada para procurar passagens secretas ou armadilhas, Observar para detectar pessoas escondidas, Cura que serve para utilizar itens de primeiros socorros em seus aliados entre outros.

Ah, quanto as Quests do jogo todas elas são realizadas em Dungeons e digamos que tudo que se passa fora das cidades é teoricamente uma Dungeon e apenas você ou seu grupo estará nele. Nada de encontrar jogadores avulsos enquanto você está explorando uma floresta. Quando for adentrar certa Dungeon você pode determinar o nível de dificuldade dela indo desde o Solo ao Epic.

  • Acessibilidade – Os requisitos mínimos para jogá-lo são de uma CPU de 1,5 GHz, RAM de 512 MB, 3 GB de espaço e uma boa placa de vídeo de 64mb.

Idêntico a vários outros MMORPGS, Dungeons & Dragons Online se tornara grátis para obter um número maior de jogadores, ocorrendo isso em 9 de Setembro de 2009, e fora tremendamente bem sucedido aumentando em 500% o número de transações na DDO Store (loja online onde se pode obter itens por dinheiro).

Os planos prestados aqui são bem similares ao de Everquest 2 (e já vai se acostumando que a maioria usa esse esquema).

  • Conclusão – Entre os MMO’s que testei este fora o 2º que mais me decepcionou. Talvez minha expectativa do jogo fazer jus ao sistema tenta agravado isso, mas dava pra ver e sentir que poderiam criar um jogo bem melhor. A tentativa de fazer o jogador se sentir um RPGista (as quests na Dungeon são até narradas como se houvesse um narrador) passa praticamente despercebido, sendo notado apenas pelos mesmos, mas logo fica evidente como isso é irrelevante e não empolga. Uma lástima.

Só aproveitando o embalo, está em criação um novo MMO baseado em D&D, utilizando-se a região de Neverwinter de Forgotten Realms (bem conhecida do jogo de RPG eletrônico Neverwinter Nights). O trailer foi uma droga, mas está aí a esperança de que esse novo jogo faça jus a Dungeons & Dragons.

Update: Após 6 anos finalmente será lançado a primeira expansão de D&D Online (aham, finalmente) e se chamará Menace of the Underdark e entre as várias novidades que a expansão trará (como ter agora todas as classes básicas clássicas do sistema – ainda não havia a classe Druida – poder chegar a níveis épicos) a principal é que possibilitará aos jogadores jogarem no cenário de Forgotten Realms, centrado no reino de Cormyr, um dos reinos mais importantes de Toril (o mundo do cenário).
A vilã da expansão será Lolth, a Deusa Rainha das Aranhas e é a principal divindade cultuada pelos elfos negros. Não há detalhes sobre suas intenções além dela ter aberto um portal que liga os cenários de Eberron a Forgotten Realms. A expansão ainda não tem previsão de lançamento.
Que esta expansão aproveite para rejuvenescer o jogo e faça com que os fãs e apreciadores de RPG tenham uma boa experiência que apenas o sistema D&D pode proporcionar.

Espero que tenham gostado, pois logo virá a 3ª parte. Até mais.

Uma consideração sobre “MMO’s Free: Pra Que Te Quero? – Parte 2”

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