Engolido pela Trevas

POR LEONARDO “SILVERBOLT” DIAS

Estou há 3 semanas pensando em fazer uma nova resenha aqui no blog e a primeira ideia era continuar com os lançamentos de D&D 4ª edição, mesmo com o boom da divulgação oficial da 5ª edição que vou esperar mais tempo para comentar aqui.

O livro em questão da resenha ainda não ficou disponível a pobres mortais (se é que me entende… download). Então voltando lá no início das matérias aqui lembrei que falei que comecei a jogar RPG com a revista Só Aventuras num antigo sistema que hoje é o reconhecido sistema dos livros da Editora Daemon.

Lembrando que em novembro a editora relançou alguns de seus livros clássicos (veja lista abaixo), mas não farei a resenha de nenhum deles vou comentar sobre a mais nova atualização de Trevas – Campanhas Épicas.

A resenha serve como uma homenagem a um sistema brasileiro que sobreviveu depois de todas as baixas de venda de material de RPG e a extinção de praticamente todos os outros sistemas nacionais, com raríssimas exceções.

A história do sistema da Daemon começou em 1992, engenheiros da POLI-USP criaram um sistema matemático para ser usado em simulações de máquinas e equipamentos. O sistema foi publicado pela vez no fanzine Politreco em outubro de 1992.  Seu funcionamento foi tão bom que se tornou um Sistema de RPG.

Entre 1993 e 1994 foi publicado de forma independente. Em Setembro de 1995, por intermédio de Marcelo Cassaro (na época editor da revista Dragão Brasil ) foi lançado (ainda sem nome) no livro Arkanun da Editora Trama.

Logo depois seria publicado pela Daemon Editora  como “Sistema Daemon”. Foi aberto pela Editora Daemon, sua proprietária, para qualquer jogador que queira criar um RPG.

Antes de ter o nome de Daemon, este sistema era conhecido como Só Aventuras – distribuído em forma de revistas modestas. Com seu sucesso usado em Trevas 1ª edição, o Sistema Daemon foi “evoluindo”, tornando-se mais realista e genérico. Prova disto são os netbooks encontrados no próprio site, com diversos temas, sem perder a essência do jogo – as regras são extremamente convidativas e adaptáveis.

Seus livros mais conhecidos são Trevas, Invasão, Arkanun e NeoKomos.

O sistema aborda um medieval mais clássico do que o universo de D&D, lembro que em Arkanun e Trevas, por exemplo, ser conjurador e elfo, uma espécie de combo de rpgistas em geral era a maior das armadilhas, você era caçado por todas as organizações possíveis, incluindo entre elas a Inquisição.

Falando em Trevas ele recebeu juntamente com os relançamentos um novo módulo básico dedicado a Aventuras Épicas.

“O TREVAS: CAMPANHA ÉPICA é um suplemento que fala sobre o Apocalipse no cenário de TREVAS em torno de várias culturas, nórdica, cristã, assírio-babilônica, africana, celta, etc. Além disso, inclui vários novos aprimoramentos, plots para jogos apocalípticos, regras alternativas para criação de personagens épicos, novos poderes, poderes sephiróticos, e um IMENSO bestiário épico!

O livro tem aproximadamente 150 páginas. O material original (que só existe na Fortaleza dos Ossos em Arkanun) era para ter 300 páginas, mas iria ficar muito caro e inacessível pros leitores, então ficou só a nata da nata, então os autores encurtaram alguns capítulos (como da Magia Épica), mas esse material será lançado online no futuro.”

Títulos fora do catálogo desde 2009 é que foram relançados entre eles Abismo, Anjos: A Cidade de Prata, Arkanun, Clube de Caça, Demônios: A Divina Comédia, Jyhad: Guerra Santa, Spiritum: O Reino dos Mortos, Trevas e Vampiros Mitológicos.

Trevas – Campanhas Épicas

A introdução do livro já chama a atenção, porque ela pega num ponto fundamental, os chamados níveis épicos representados por D&D em quase todas as suas edições e em cenários Supers, como GURPS fogem da temática mais realística que ambienta o cenário de Trevas.

Como fazer um livro de campanhas épicas e não afastar os jogadores que permanecem fiéis desde o lançamento da primeira edição do livro, que era como uma revista grossa . Não precisa se preocupar, os autores Henrique Santos e Hatalíbio Almeida se preocuparam com isto antes e testaram o que funcionaria aqui.

Os textos descritivos estão lá assim como me lembrava, não tenho certeza se cheguei a ver o livro da 3ª edição do sistema, até a segunda já como um livro eu joguei.

Antes de regras um longo capítulo constrói todo o cenário com uma riqueza de detalhes e linhas de tempo sobre as várias culturas que se envolvem na história.

Depois de 67 páginas segundo o ebook completo com 292 páginas que encontrei é realmente as regras começam. Apresentando como criar personagens épicos e as Escalas Épicas que vão de 1 a 5, cada escala épica dá 100 pts. de criação de personagem, já imaginou isso. É épico mesmo a parada.

Como sempre um problema apresentado em algum dos livros relançados há pouco que é incomum em outros sistemas, mas super importante no Sistema Daemon dá  as caras a idade, o livro deixa claro que não se deve deixar seus jogadores extrapolarem na idade.

Há um novo conceito chamado de Manifestação Arquetípica onde o personagem ligado ao frio, por exemplo, causa uma Era Glacial só com a sua presença.

Um personagem épico

As façanhas épicas de perícias ligadas as porcentagens em centenas também estão lá como em todo bom livro épico, exemplo, Natação (AGI): a entidade consegue nadar contra a correnteza de uma cachoeira com 550% na perícia, o Shiryu só precisava dar um golpe. Cavaleiros sempre épicos!

Depois de muitos Aprimoramentos o capítulo explica sobre os Poderes Avançados separados por níveis que chegam a 50 ou mais e os Poderes  Sephiróticos tais poderes só podem ser alcançados por personagens de Escala Épica 3 ou mais.

Exemplo de Poder Sephirótico:

Nível 10:
Vitória Incontestável.
“A entidade personifica a glória divina que submete todo o Universo. Qualquer pensamento de sobreposição à vontade da entidade por meios diretos garante sua automática falha…”

E só para ter uma ideia do alto nível.

Olhando a quantidade de magias épicas que seguem os poderes é possível entender porque o corte do livro lançado com um menor número de páginas foi exatamente aqui.

O terceiro capítulo apresenta os Cenários de Campanha e você toma um susto ao ver a foto de um candidato americano no meio de monstros que compõe as ordens épicas.

E para fechar o livro traz os oponentes para os personagens épicos e não só com fichas, mas com a história necessária para saber a causa do confronto entre “heróis” e “vilões” já que em Trevas isto não pode ser definido com simples palavras.

Boa Leitura

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