Eu Ainda Quero a Moto do Kaneda

POR JOSÉ ALFREDO

Após tantos problemas na preparação deste texto como PC pifando a cada ida e vinda da assistência técnica (5 vezes ao todo), provas e afins que me impediam de…ah, sério, isso é problema meu e você não tá nem aí pra isso, então vamos direto ao que interessa e falemos de Akira.

Akira é um longa metragem de animação de 1988 no estilo cyberpunk baseado no mangá homônimo de autoria de Katsuhiro Otomo que aqui atua como seu diretor. Seu sucesso fora tamanho que logo se tornou cult e um referencial de animação em todo o mundo.

Lembro bem durante a década de 90, quando o boom de animes ocorreu aqui no Brasil e enquanto o canal Manchete (T_T) era excelência nessa área, outras emissoras também se arriscavam a passar animes (acho que um dia eu tenho que comentar sobre isso). A Bandeirantes, notória por ser um canal de esportes (hoje resignada a falar de Corinthians), surpreendeu o público otaku na época de 3 formas: Por passar a Lenda do Demônio no horário nobre, por ter passado a Lenda do Demônio sem censura no horário nobre (se você não sabe do que estou falando procure no Google sobre) e por fim passar Akira. Ah, bons tempos onde não havia frescura e o politicamente correto era para fracos.

Bem, falemos sobre o longa então já aviso que se aparecer um spoiler, só lamento. É um filme de 1988 e se após 23 anos você ainda não viu, paciência. Faz uma coisa, assista e depois volte aqui para ler o resto.

A história se inicia mostrando panoramicamente a cidade de Tóquio e nos dizendo que estamos no dia 16 de julho de 1988. Aí ocorre uma explosão nuclear e tudo vai pro saco. É, um chute nos bagos.

Enquanto você está recuperando o ar e tentando encontrar seu queixo caído, logo em seguida é revelado um mapa mundi e é dito que agora estamos no ano 2019, 31 anos após a Terceira Guerra Mundial. Uma voadora na boca e apenas 1 minuto de filme fora assistido.

Após isso, em letras garrafais do vermelho mais rubro é nos revelado o nome do longa.

Conhecemos uma distópica Tóquio, agora chamada de Neo Tóquio, onde as chagas e cicatrizes da tragédia são evidentes, tanto no caráter físico em certos pontos da cidade que independente da tecnologia atual e das reformas efetuadas, ainda é inviável um conserto pleno, quanto no caráter social onde a marginalidade impera. Tudo isso sendo administrado por um governo totalitário e corrupto.

Falemos das personagens. O protagonista é Shotaro Kaneda, um adolescente líder de uma gangue de motoqueiros que tem uma das motos mais lindas que eu já vi.

É um líder nato, decidido, sem noção e muito bem humorado. Não importa quão inconveniente ele é, pois acaba encontrando um jeito para contornar a pessoa e a situação a favor, algo que se mostra durante toda a animação.

Shima Tetsuo (detentor de uma testa que rivaliza com a de Vegetta, BTW), é o antagonista. Membro da gangue de Kaneda e melhor amigo do mesmo desde a infância, devido seu complexo de inferioridade nutre uma admiração/inveja de Kaneda.

Após um acidente durante uma disputa de território entre gangues, poderes psíquicos latentes despertam nele e quanto mais eles se desenvolvem mais ele começa a se corromper querendo provar a todos o quão forte ele é. Torna-se também uma obsessão ele obter a moto modificada de Kaneda, considerada um status de poder. Tudo se agrava quando ele descobre a existência de Akira.

Coronel Shikishima ou simplesmente Coronel como é chamado por todos durante toda a história é o responsável pelo projeto governamental que estuda uma aplicabilidade para os poderes psíquicos desenvolvidos por certas pessoas, projeto este que ocasionou a destruição de Tóquio no passado. Sim, não fora uma explosão nuclear, mas sim o poder telecinético descontrolado de uma pessoa.

Ele também participa do conselho que administra Neo Tóquio, mas sente repulsa do nível de corrupção que o envolve. Ele, sempre sério e rude mantém um código de conduta honroso. Ele de certa forma atua como um pai para com os outros 3 Espers (pessoas com poderes psíquicos) que participam do projeto.

Os Espers Kiyoko, Takashi e Masaru são pessoas que detêm poderes psíquicos e que junto de Akira são cobaias de testes no projeto governamental que visava analisar formas de se utilizar tais poderes. Seus poderes não se equiparam aos de Akira e Tetsuo, mas normalmente eles atuam juntos e terão bastante relevância durante todo o filme.

Lembro que quando assisti na primeira vez não consegui entender o porquê deles terem essa aparência velha, mas vendo recentemente entendi que isso é devido o remédio que tomam que evitam seu crescimento (e como efeito colateral não os livram de envelhecerem) para não perderem o controle dos seus poderes.

Kei é uma revolucionária de uma facção anti governamental que busca revelar ao público a verdade sobre a destruição de Tóquio. Durante um dos conflitos, Kaneda se encontra com ela e por ter gostado dela acaba a seguindo em sua empreitada, ainda mais quando descobre que Tetsuo está envolvido nisso.

Mesmo sem ter poderes psíquicos, ela acaba durante vários momentos do longa sendo utilizada como um canal para a manifestação dos poderes dos 3 Espers.

Encerrando, temos Akira, cujo nome é o título da animação e responsável pela aniquilação da cidade de Tóquio quando perdera o controle de seus poderes. O que acontecera com ele após isso não vou falar (e nem mostrar como ele é) porque a cada spoiler que ouso escrever, eu sangro por dentro.

Como disse lá em cima, Akira fora um marco para a animação nipônica e sua importância lá é equiparável ao que temos aqui com relação a HQ’s do Batman e Superman, por exemplo. Ele também aborda o trauma da explosão nuclear, uma cicatriz permanente no povo japonês e também sobre as gangues de motoqueiros que eram recorrentes por lá na época. De todos os animes que já comentei aqui e os que futuramente falarei, mostrando sempre que há vários que não são meramente desenhos animados infantis, este poderia ser considerado o epítome deles.

Ah, tem também a moto mais sensacional que eu já vi.. Acho que já falei isso antes. =D

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