E a Pirataria é Culpa de Quem então?

POR JOSÉ ALFREDO


Como muitas pessoas, sempre acreditei que o maior incentivo para a pirataria era os altos impostos cobrados sobre os jogos que inviabilizavam a compra dos mesmos. Até ontem (30/11/2011), não se via nenhuma atitude do governo com relação ao mercado de jogos no Brasil (este que é o quarto maior do mundo), mesmo sabendo que ele tem faturado ao ano uma média de 30 bilhões de dólares (com previsão de em 2013 duplicar esse valor) superando o mercado fonográfico e até Hollywood.

Enfim, semana passada, a empresa Ubisoft (desenvolvedora de Assassin’s Creed e Prince of Persia) resolveu cancelar o lançamento dos jogos I am Alive e Ghost Recon: Future Soldier “porque nós sabemos que 95% de nossos consumidores vão piratear o game.”

É de fato compreensível essa preocupação. Alguns dizem que é exagerada, mas eu não a enxergo tão distante assim da realidade.

No entanto, Gabe Newell, co-fundador e CEO da Valve e principal responsável pela Steam (http://pt.wikipedia.org/wiki/Steam) tem uma opinião diferente sobre o que  motiva a pirataria dita no site da IGN (http://games.ign.com/articles/121/1213357p1.html#.TtDclbZVnxI.twitter):

“Nós achamos que há uma confusão fundamental sobre a pirataria. A pirataria é quase sempre sobre um problema de serviço, e não um problema de preço. Por exemplo, se um pirata oferece um produto em qualquer lugar do mundo, 24 horas por dia, adquirível pela conveniência de seu computador pessoal, e o provedor legal diz que o produto é travado por região, que virá para o seu país 3 meses depois do primeiro lançamento e só pode ser comprado numa determinada loja, então o serviço do pirata tem mais valor.”

“A maioria das soluções de DRM diminuem o valor do produto, seja por restringir diretamente o uso do consumidor ou por criar incerteza.”

“Nosso objetivo é criar um serviço de valor maior que os piratas, e isso foi bem sucedido para nós o suficiente para que a pirataria não se tornasse um problema para a nossa empresa. Por exemplo, antes de entrarmos no mercado russo, nós ouvimos falar de que a Rússia seria uma grande perda de tempo, porque todo mundo pirataria nossos produtos. Agora, a Rússia se tornou o nosso maior mercado em toda a Europa.”

“Nosso sucesso vem de ter certeza de que tanto nossos consumidores quanto nossos parceiros sentem que eles possuem um grande valor através destes serviços. Eles podem confiar que nós nunca nos aproveitaremos desse relacionamento que temos com eles.”

Normalmente, pensamos em nós mesmos como um serviço centrado no consumidor, em vez de centrado na produção. A maior parte das nossas decisões são baseadas em aproveitar oportunidades de rápida evolução para melhor servir nossos consumidores, e não em melhorar para ter uma melhor companhia de games ou um distribuidor digital.”

Devo dizer que ainda no mercado brasileiro, o preço altíssimo tem sim grande relevância ainda no incentivo a pirataria, mas é de toda verdade que a falta de acesso a produtos originais e o inverso quanto a pirataria (basta escrever o nome do jogo no Google) também tem grande peso.

Mas então, o que vocês pensam sobre isso?

Uma consideração sobre “E a Pirataria é Culpa de Quem então?”

  1. Caramba, esse CEO da Steam matou a pau. É claro que preços menores irão desmotivar relativamente a pirataria, mas o acesso rápido ao serviço desejado conta demais também. Um bom exemplo é a PSN brasileira: peca violentamente em diversidade e pontualidade na atualização de conteúdo.

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