No Dilema Mais Denso

POR JOSÉ ALFREDO

Antes, só pra deixar claro, muitos dos textos que vocês virem aqui não tem a pretensão de serem resenhas (mesmo que sirva como tal também) e basicamente residirá nosso pleno e tosco achismo de qualquer coisa que venha a telha.
Ah, eu tenho ódio pleno de spoilers, mas fica difícil falar de algo sem citar fatos relevantes do filme (bem, são relevantes pra mim e isso que importa), então leiam com moderação.

Enfim, chega de blá blá blá e falemos sobre o filme da minha personagem de quadrinhos favorito: O Sandman LANTERNA VERDE.

Hal Jordan

Mas antes, um pouco de história, pois lembrar do passado é não padecer de Alzheimer. Lembro que a 3ª vez que vi o Lanterna Verde (sério, a 1ª e a 2ª vez foram irrelevantes) fora na 6ª série quando lá eu estava no colégio, precisamente na biblioteca, indo pegar uns livros pra estudar…Aham, claro. Até parece. Tava um amigo e eu lendo de novo um livro de culinária engraçado que tinha receitas como Cabacinhas Recheadas (nem lembro como é a receita, se alguém souber passe por email =D) quando fui chafurdar a procura de algo tão engraçado quanto, até que me deparei com uma revista em preto e branco estrelado pelo Lanterna e o Arqueiro Verde atuando juntos e achei sensacional.
Daí em diante, sempre que tinha oportunidade de comprar alguma revista do Lanterna Verde (a.k.a grana) eu o fazia. Todavia só fui começar a acompanhar as histórias dele quando a Editora Abril começou a lançar a HQ “Os Melhores do Mundo”.

Oliver Queen & Hal Jordan

De todos os conceitos de poder que já vi na história dos quadrinhos, é o dos Lanternas Verdes (e ramificações) que mais me fascina e o porquê disso é bem exemplificado na edição nº26 (Mestre dos Sonhos) dos Melhores do Mundo, em que Lorde Morpheus definiu o anel como um “anel de desejo”. Pra quem curte RPG, entende bem o significado simbólico disso. Ah, Sandman rula.

Agora comecemos a falar do filme… É…eu ainda não sei o que dizer do filme. Não sei se é vergonha de ter curtido sabendo que meio mundo que manja da história odiou. Não sei se não gostei porque acabei sendo influenciado pelas trocentas críticas negativas tanto antes quanto depois que o filme fora lançado. Li/ouvi blogs, sites decentes com resenhas e principalmente, mas não menos insignificantes, as opiniões de amigos meus dizendo que odiaram (teve um amigo meu que adorou e ele manja de Lanterna Verde; ele ter usado um “adorei” forçou a barra).
A única certeza que tenho é que maldito seja Ryan Reynolds e quem julgou supimpa (sim, supimpa. Ah, me erra. ¬¬) contratar esse arremedo de ator.

Sim, essa é uma das 9 entre 10 resenhas que não gostou da interpretação dele.

Pra diferenciar e facilitar então minha opinião vou tentar então falar da sensação que tive e vi do público no cinema vendo o filme.

Deu pra ver que a Warner quis fazer de Hal Jordan um cara descolado e divertido (for children and dummies) e galanteador (for women). O que se viu fora a mesma coisa que Ryan Reynolds faz em qualquer filme só que com menos piada. Pelo menos ele teve a decência de vir com sobrancelhas reais dessa vez.

Patolino rula

Se era pra ser um Lanterna Verde mais divertido que fosse esse ao menos.

Nos quadrinhos inicialmente ele era um pouco arrogante e se achava um pouco demais e isso mudou mais a frente quando ele começou a ter real noção do seu papel como herói.
Todo o prólogo, as cenas mostrando OA (o planeta da Tropa) e Sinestro discursando mostrava a grandiosidade que era a Tropa dos Lanternas Verdes. Foram cenas que impactaram no cinema e para pessoas como eu, já fazia imaginar continuações se aproveitando disso. Oh, como ingenuamente fiquei feliz quando li citações de “o novo Star Wars” (não lembro se falaram Star Trek, mas dane-se SW > ST).

Só um adendo, Mark Strong interpretou bem o Sinestro e só. Vi gente babando ovo pro cara, dizendo que foi o melhor do filme. Para. O cara não fez quase nada. Geoffrey Rush e Michael Clarke Duncan fizeram tanto quanto ele e nem foram mencionados direito.

Voltando, gostei muito e me empolguei com os efeitos especiais do filme. Minto. Gostei muito dos efeitos especiais relacionados ao anel. Realmente deu pra sentir que aqueles constructos de energia eram sólidos e a parte do Autorama passou a sensação de ser ao mesmo tempo sensacional com uma vergonha alheia (que ficou bem estampada no rosto lindíssimo de Blake Lively).

https://i1.wp.com/1.bp.blogspot.com/-Q_--gTs6qyg/Tgkt05FAtlI/AAAAAAAAAUE/_wXHQRAMw7g/s1600/blake-lively.jpg

*-*

Agora o Parallax… Eu ainda fico tentando entender por que a personificação do Medo parece um inseto. Bem, no filme ele parece um primo asiático do Galactus do segundo filme do Quarteto Fantástico, mas a arte conceitual ainda é insectoide e mais pra frente um amontoado de rostos esfumaçados. Aproveitando o embalo, a cena em que ele ataca a cidade é no mínimo ridícula.
Por exemplo, digamos que você está andando feliz na rua quando do nada começa a ouvir vozes from doom vindo do céu. Tu pensa que é loucura sua, mas aí vê que outras centenas de pessoas também ouviram. Logo o céu começa a escurecer, trovejar e parecer que algo MUITO RUIM tá vindo na sua direção. O que você faz? Eu pelo menos já estaria no mínimo correndo muito pro lado oposto da onde isso tá vindo.
Bem, mas vemos que a curiosidade de todo mundo falou mais alta e fizeram questão de esperar Parallax se manifestar na frente deles, engolfar alguns prédios e aí começarem a entender que ele é mau e vai matá-los. Pronto, agora sim eles podem correr. E o Parallax é meio boçal. A Personificação do Medo fez questão de parar sua obliteração da humanidade a devorando só pra se fixar numa mulher que tava no chão (totalmente avulsa) pra mirar uma rajada de energia nela. Çagaiz.

http://www.youtube.com/watch?v=O-efyyXi2G0

Aproveitando que estou falando sobre Personificação do Medo e obliteração da humanidade, ainda não consigo entender por que os Guardiões mandaram um ‘dane-se’ pra isso e mais ainda por que só três Lanternas se prontificaram de dar apoio moral ao Hal Jordan, mesmo já tendo certeza da encrenca que era?
Pior, fizeram mó drama que o Abin Sur é o pica das galáxias entre os Lanternas, que ele lacrou o Parallax e talz, só pro noob da Tropa no fim destrui-lo sozinho só com o que aprendeu no tutorial do jogo treinamento básico.
Eu até diria que pra ser Lanterna Verde deveria ser difícil, mas como ficou provado pela HQ do Reboot da DC, Lanterna Verde: Os Novos Guardiões, onde Kyle Rayner aprende a dominar o anel em 2 quadrinhos, é facílimo. BTW, Kyle Rayner é melhor Lanterna Verde que Hal Jordan. Prontofalei

https://i2.wp.com/30.media.tumblr.com/tumblr_l4u3z01rja1qzvnpdo1_500.jpg

É sim.

Enfim, conseguiram mandar pelo ralo toda aquela sensação de grandeza que eu havia dito lá em cima, sobre a Tropa dos Lanternas Verdes.

Eu, tolamente, fico ainda desejando e crendo que havendo uma continuação, desta vez pautada na Tropa em si, tornaria a apreciação desse filme bem melhor do que tenho agora, mas com a péssima repercussão que ele teve, bem improvável que isso ocorra.

Opa, já estava me esquecendo do ator que fez com que o filme valesse a pena pra mim: Peter Saarsgard. A atuação dele como Hector Hammond fora perfeita… Bem, na medida de eu pouco conhecer a personagem nos quadrinhos, ao menos no filme ele deixou crer a natureza exótica e introspectiva dele e sua gradual evolução (ou seria melhor regressão?) tanto física quanto mental em virtude da energia do medo.
Fazendo aqui uma analogia, lembro de quando estava no cinema vendo Batman, O Cavaleiros das Trevas, onde todo mundo ria das cenas do Coringa (parabéns Heath Ledger), mas de pouco em pouco, os risos iam mudando de intensidade até ficarem amarelos. A cena do lápis fez com que todos tomassem um susto e durante o resto do filme deu pra sentir a tensão no ar cada vez que ele aparecia.
Hector Hammond fora mais ou menos assim. Quando ele aparece, já bastante deformado, vi pessoas achando ele ridículo e alguns até engraçado, mas o momento quando no laboratório, ao deitar ao lado do Hal Jordan, após derrotá-lo, e começar a ter uma “convulsão de risos insanos”, foi o suficiente pro mais profundo silêncio no cinema.

Tava esperando chegar no fim desse texto com uma confirmação se tinha gostado ou não, mas fiquei na mesma. Acho que a magia do cinema funcionou. Terei que ver em casa quando passar na TV pra ter uma confirmação mais precisa.

É, falei nada com coisa nenhuma, mas se alguém curtiu deixe sua opinião aí que eu agradeceria. Ou não.

https://vocevaientender.files.wordpress.com/2011/10/greenlanterncorps.jpg?w=199

2 comentários em “No Dilema Mais Denso”

  1. Alfredo, seu comentário me fez pensar muito sobre o filme. Tenho que revê-lo. Ah, e concordamos em gênero, número e grau: Ryan Reinolds é muito ruim, putz!!

  2. Fiquei com contade de ler Zero Hora agora…

    Pois é, no final o filme serviu como uma grande introdução do que é Lanterna Verde para o público geral. Pena que teve vários furos =/

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